ForeverGreen - Apelo ambiental

 


Forevergreen (2025) é um curta-metragem de animação que concorreu nessa categoria. É uma narrativa simples, não verbal, composta por elementos da natureza. 

Mostra uma improvável amizade de um ursinho e uma árvore. O ursinho cresceu com  a ajuda, sombra e alimento de sua amiga e vivia uma vida tranquila até que uma ave trouxe, da civilização, um salgadinho numa embalagem. O urso provou desse "alimento" e se deliciou, afinal, a indústria alimentar de ultraprocessados vende produtos que contam com uma explosão de sabores. Após se deliciar com esse elemento desconhecido, o urso identifica, do outro lado, separado por um precipício, que as aves viviam em um depósito de resíduos e elementos que traziam da civilização. 

A história se desdobra a partir daí. O ponto que chama atenção é a mensagem clara em prol de uma "vida verde", que seja mais adaptada aos recursos provenientes da natureza e que, por mais que muitos entendam que a natureza não fornece a mesma explosão de sabores da indústria, ela deve constituir, por uma questão de sustentabilidade e saúde, a nossa base. 

É muito claro, no filme, como o urso, a partir do momento que prova do salgado proibido, não quer mais o que a árvore lhe fornece. Ele não quer mais uma alimentação natural, quer se deleitar nos perigos que a indústria fornece, nos ultraprocessados. É muito pertinente como o filme traz, em certa medida, a analogia daquele depósito de industrializados com um depósito de lixo. Sim, é problemático dizer isso, vão aparecer pessoas discordando, dizendo que nenhum alimento pode ser tratado como lixo e que diversas populações pauperizadas só tem àquilo para comer. Fato. Mas isso não deixa de ser um problema sistêmico, uma iniquidade de um sistema que oferece um veneno indireto, discreto, e que vai adoecendo a população aos poucos. 

Muitos que tem a opção, como o urso do filme, abandonam uma vida saudável, voltada para uma alimentação verde, natural, para uma alimentação sem regras que prioriza o prazer alimentar acima de qualquer outra coisa. 

A discussão do curta vai além dessa perspectiva de saúde, abrangendo também a relação com a natureza. Industrialização tem a ver, indissociavelmente, com desmatamento, queimada, destruição do meio ambiente. Foi o que se viu na narrativa, que ao mesmo traz uma perspectiva otimista: há ainda a possibilidade de replantar. Basta querer. Basta ter quem queira. 


Lucas Alves

CRP04/67750

Insta: @psi_lucashfalves

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