Psicanálise Selvagem





    

"Psicanálise silvestre" ou "psicanálise selvagem" é um texto de Freud escrito em 1910. É um texto breve, porém muito importante, pois busca trazer considerações fundamentais sobre o fazer psicanalítico e sobre o que seria uma psicanálise nociva para o sujeito. 

Freud conta um breve relato de uma mulher que teria procurado um médico devido a falta de satisfação sexual. Este médico, teria lhe dado um roteiro de conduta, dizendo que haveria três maneiras pelas quais ela poderia recuperar sua saúde: I- voltar para o marido, II- ter um amante ou III- satisfazer-se consigo mesma. O comentário do médico, entretanto, gerou um efeito contrário ao esperado, aumentando a ansiedade e as resistências da paciente. Isso se deveu ao fato de a proposição do médico ter sido feita de forma precipitada e sem "tato médico". Assim sendo, aumentou-se a ansiedade da paciente, pois as soluções apresentadas pelo médico eram completamente contrárias aos princípios morais e religiosos da mesma.

O que podemos compreender como "tato médico" é o que hoje tanto dizemos como "vínculo". O vínculo terapêutico é uma condição essencial a qualquer tratamento psicoterapêutico. Quando o sujeito entra em análise, estão postas a tona uma série de resistências. Entendemos as resistências como tudo aquilo que atrapalha o processo analítico, funcionando como obstáculo para a evolução do tratamento. É um movimento de defesa do inconsciente, que visa impedir seu conteúdo de ser transposto à consciência. A análise progride à medida que vai se consolidando um vínculo, uma relação entre o analista e o paciente. Tal vínculo, tal transferência, movimenta as resistências do paciente, facilitando o acesso àquilo que está reprimido. 

Portanto, o médico descrito por Freud a partir do relato da paciente, teria feito uma intervenção precoce, sem cuidado, sem vínculo. A psicanálise selvagem é aquela que oferece interpretações e intervenções descuidadas, prévias, sem tato, sem sensibilidade. É aquela que não espera o tempo de análise em que o sujeito se aproxima daquilo que está reprimido, além de ser aquela que não espera a construção e consolidação do vínculo terapêutico entre analista e analisando. 


Referências:

Freud, S. Psicanálise Silvestre (1910)

Freud S. A transferência (1919)


Lucas Henrique Ferreira Alves - CRP04/67750

Instagram: psi_lucashfalves




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